quarta-feira, 13 de maio de 2009

Prêmio reconhece melhores construções sustentáveis

12/05/2009 - Autor: Fabiano Ávila - Fonte: CarbonoBrasil/Holcim Foundation


A recuperação de um rio no Marrocos, um campus universitário ecológico no Vietnã, uma estratégia de planejamento rural na China e abrigos informais para trabalhadores diaristas nos EUA foram os vencedores do 2º Prêmio Global Holcim

Quase 5.000 projetos de construção sustentável, oriundos de 121 países, foram avaliados por uma banca de arquitetos e urbanistas de várias partes do mundo e o grande destaque foi dado para um projeto no Marrocos que pode servir de modelo para a recuperação dos rios que cortam as nossas cidades.

O prêmio, concedido pela Fundação Holcim, reconhece as iniciativas que reduzem as pegadas ecológicas, abrem caminho para um futuro mais sustentável e melhoram a qualidade de vida. Os finalistas incluíram projetos do Brasil, Canadá, Colômbia, Emirados Árabes Unidos, Eslovênia, Hungria, Índia, Suíça e Uganda.

Segundo o presidente do Conselho de Administração da Holcim, Rolf Soiron, os enormes desafios da construção sustentável exigem muitas contribuições inovadoras adaptadas às necessidades locais. “Os valores e vantagens intrínsecos dos projetos revelam que todos têm características únicas que, nos seus ambientes específicos, contribuem e trazem algo de novo para o setor”, afirmou.

Para compararem as várias candidaturas ao concurso, o júri utilizou os “pontos-chave" da construção sustentável, que foram criados pela própria Fundação Holcim: desempenho ambiental, responsabilidade social e eficiência econômica. Também foi avaliada a qualidade arquitetônica e a viabilidade de aplicação em grande escala das características do projeto.

O presidente de Planejamento e Gestão em Construção do ETH Zurique, Hans-Rudolf Schalcher, membro do júri, explicou que a possibilidade de transportar idéias de um projeto para outras comunidades foi um fator comum aos projetos vencedores. “Todos os quatro ilustram, de forma perfeita, o que significa construção sustentável - muitas idéias interessantes para serem transferidas dentro de uma área de especialidade, e um impacto na promoção da construção sustentável”, afirmou.

Vencedores
O Global Holcim Awards Gold, acompanhado de um prêmio em dinheiro de US$ 300 mil, foi atribuído a um projeto centrado na restauração do rio que atravessa a medina de Fez, no Marrocos.

Uma equipe liderada pelo arquiteto marroquino Aziza Chaouni e pelo urbanista norte-americano Takako Tajima está recuperando o rio Fez, no sentido de revitalizar o centro histórico da cidade. A abordagem inclui uma série de intervenções para reforma de curtumes tradicionais, a criação de espaços públicos e zonas para pedestres, e a restauração de áreas úmidas bem como da biodiversidade.

O júri elogiou o plano por criar uma cadeia de projetos de recuperação, que também permitem que sejam acrescentados subprojetos futuros - e por incluirem a vida social e econômica da cidade juntamente com a ecologia do rio. “Trata-se de um projeto multifuncional, organizado em torno da recuperação do rio. Os componentes principais reabilitam a arquitetura dessa medina histórica, criando uma zona urbana viável e funcional,” afirmou o relatório do júri.

O Global Holcim Awards Silver, com um prêmio em dinheiro de US$ 200 mil, foi atribuído ao novo campus da Universidade de Arquitetura na cidade de Ho Chi Minh, no Vietnã, concebido pelo arquiteto japonês Kazuhiro Kojima. O projeto evita obras maciças de aterro numa ilha no Delta do Mekong e visa uma harmonia com todos os elementos do ecossistema circundante: arrozais inundados, mangues, ventos e variações sazonais.

O projeto já havia sido premiado com o Holcim Awards Silver 2008 Ásia Pacífico, e agora convenceu o júri global: “As formas ovais suavemente arqueadas caracterizam o layout dos edifícios - suas interseções criam uma diversidade de grandes e pequenos espaços. Isto permite que a Universidade vá se configurando de forma orgânica, de acordo com idéias em mudança e necessidades futuras”, explicou o relatório do júri.

O planejamento rural de um vilarejo nos subúrbios de Pequim, China, obteve o Global Holcim Awards Bronze e US$ 100 mil pela combinação eficaz de preservação do patrimônio, conhecimentos tradicionais, materiais locais e tecnologia moderna. A estratégia de planejamento urbano integrado liderada pelos chineses Yue Zhang e Feng Ni melhora a logística e os serviços públicos e ao mesmo tempo cumpre rigorosas metas ecológicas e de redução do consumo de energia para novos edifícios.

“Um dos elementos excepcionais da abordagem é a análise profunda da situação cultural e física atual da comunidade, incluindo população, densidade de construção e status da biodiversidade. Foram ainda realizadas pesquisas de campo e entrevistas porta a porta”, referiu o júri.

O prêmio de inovação no valor de US$ 50 mil foi atribuído a um projeto que cria abrigos informais nos quais trabalhadores diaristas em São Francisco podem se encontrar e esperar por trabalho avulso.

Concebidas pelos norte-americanos Liz Ogbu e John Peterson, as estruturas flexíveis oferecem abrigo, bancos de assento, banheiros, uma cozinha e um espaço de formação e treinamento. São utilizados materiais "verdes" e reciclados, para minimizar a pegada ecológica e o custo econômico de cada instalação.

“A estrutura oferece uma solução para aquilo que os bairros circundantes sentem freqüentemente como desordem social e que causa problemas às forças policiais locais. Assim, as vantagens estendem-se a um contexto social mais vasto que o dos próprios trabalhadores”, observou o júri.

Dois projetos brasileiros chegaram entre os finalistas: uma universidade com baixo consumo de energia, no Rio de Janeiro, do arquiteto Angelo Bucci; e uma cisterna para coleta de água de chuva com equipamento para aquecimento solar da água, da arquiteta Maria Andrea Triana e dos engenheiros Roberto Lamberts e Marcio Antonio Andrade, de Florianópolis.

A Holcim é uma gigante da área de construção civil baseada na Europa, com participação em mais de 70 países e com cerca de 85 mil funcionários. A empresa criou a Fundação Holcim para incentivar e dar apoio a iniciativas que combinem sustentabilidade com um aumento da qualidade de vida das comunidades.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O futuro possível: onde começa o novo humanismo

05/05/2009 - 12h05
Por Paolo Rumiz, do La Repubblica

“É preciso reencontrar as coisas belas, as sementes, as hortas”, afirma o cineasta Ermanno Olmi. “Recuperar a agricultura hoje quer dizer retomar a dignidade”, afirma o fundador do movimento Slow Food, Carlo Petrini. Nesta conversa bem informal, ambos comentam a relação com a natureza e criticam o modo de produção atual. Segundo eles, a natureza tem uma grande capacidade de se regenerar, contanto que seja deixada em paz. “A tragédia que vivemos não é econômica, mas filosófica: é preciso recuperar a essência”, afirmam. A reportagem é de Paolo Rumiz, publicada no jornal La Repubblica, 28-04-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Virá a fome, a fome do alimento justo. Virá a rejeição aos venenos e ao desperdício. Então, o filho pródigo voltará à casa do pai, redescobrirá a Boa Terra e iniciará a resistência contra o império do consumo e o saque à natureza. A hora se aproxima, os sinais são claros: o sistema está devorando a si mesmo, o barco afunda.

Conversamos sobre esses temas com o líder do movimento Slow Food, Carlo Petrini, e o cineasta Ermanno Olmi, em um diálogo “bíblico”, às vésperas da estréia do filme “Terra madre”, dedicado aos pequenos agricultores do mundo.

Como explicar que é preciso voltar à terra?

Olmi - Pensemos. Como se trai uma mulher? Quando a reduzimos a um instrumento procriativo. Mas o que é a terra senão uma mulher? Se não entendermos a sua essência vital, não compreendemos nada… A tragédia de hoje não é econômica, mas filosófica. É hora de voltar à essência, à verdade das necessidades.

Petrini - Olhe quanta dignidade os agricultores dos países pobres têm… Fazem com que pareçamos ridículos… Diante deles, vemos que somos feios, barulhentos, envenenados pelo inútil, curvados aos celulares… Pois bem, devemos explicar melhor que, hoje, voltar à terra não é mais voltar à miséria… Para evitar esta, temos a tecnologia… Mas voltar à dignidade, à beleza.

Sim, mas a nobreza das mãos não é mais representada. Nos jornais, só vemos fotos de empresários.

Petrini - É uma coisa que irrita. Nunca um agricultor, ou um pastor… Ignoram-se os novos sinais: a mulher de Obama que planta na horta da Casa Branca quer dizer alguma coisa, não? Muitos se dão contam, entendem que o agricultor pode ser rico como um rei… mais do que um empresário ou um advogado.

Olmi - Escute. Nunca como agora os empresários sentem o vazio da sua vida, entendem que desperdiçaram inutilmente… O modelo está no fim da linha, o Titanic afunda. Sabe o que estava escrito na quilha do Titanic? “Só Deus pode me afundar”. E depois…

Mas o modelo Titanic continua. Até a FAO exorta a produzir mais.

Petrini - Tolos. Empurrar a economia com o consumo é como dizer a um diabético “empanturre-se em uma confeitaria”. O consumismo faliu e deve ser recusado em todas as frentes. A velocidade deve ser combatida com lentidão; as necessidades inúteis, com a austeridade; o desperdício, com a propensão à reutilização… Resistência dura.

Olmi - Hoje, nos partidos, triunfa a palavra Liberdade. Li-ber-da-de. Sabe o que isso quer dizer? Simples. Liberdade para recuperar um modelo clamorosamente falido. Liberdade para consertar o Titanic. Liberdade para consumir, para desperdiçar, para envenenar. Se fosse eu, fundaria um partido da pobreza, entendida como redução do consumo. Não condenação, mas conquista.

Não é fácil entender. Estamos muito envenenados.

Olmi - Tranquilo. Virá a fome, e então entenderemos… A fome, quero dizer, do alimento justo… Pense na parábola do filho pródigo. De que ele se alimentava? Lavagem dos porcos. E nós? Igual. Lanchinhos, alimentos com aditivos. Porcarias. No nosso intestino, o alimento não fermenta mais, mas se putrefaz. E, assim, os mesmos que nos envenenam nos fazem gastar com remédios para acalmar os gases… Vamos acordar quando entendamos que, por trás da nossa fome, há uma tremenda saudade da qualidade. Então, o Pai virá e fará com que assem o novilho gordo… E vocês verão, será maravilhoso.

Como organizar a resistência?

Petrini - Roma passou séculos afundando… Os imperadores dispunham, julgavam, publicavam editos, mas o controle do território era tratado com desleixo. E assim, anarquicamente, nasciam aldeias com suas próprias regras. Nós vivemos um momento semelhante. Como Roma, o totalitarismo global desaba, mas continua comandando. E então se resiste construindo novas aldeias, núcleos de solidariedade, baseados não na utilidade ou no prazer, mas no bom e no justo. Comunidades da ética.

Olmi - A estratégia justa não é o choque frontal e nem a guerrilha. É ignorar os culpados, separar-se deles. Tornar-se estranhos ao seu projeto. Ajudar o filho pródigo a construir uma horta sua, a colocar debaixo da pia azeite e cinzas no lugar dos venenos, a não comprar congelados. Olhe o meu jardim: tem uma horta de oito metros quadrados e não sei como parar com ela…

Os italianos, se pudessem, encheriam a terra com galpões industriais.

Olmi - De fato, vivemos uma crise de civilização antes que uma crise econômica. Os valores, não os números, estão errados. Quem diz que a crise ou a superação da crise se mede em números não entendeu nada. Por que Marx faliu? Porque acreditava que a economia fazia a civilização. Agora cometemos o mesmo erro. Não entendemos que o nosso mundo, nos últimos dois mil anos, expressou uma única revolução: a de Cristo. Cristo, sublinho. Não a Igreja de hoje.

Petrini - É claro, precisamos de um novo humanismo. Vivemos três crises simultâneas: climática, energética, financeira. Mas todas têm uma única causa: a ganância. Um novo humanismo.

Na prática, o que isso quer dizer?

Petrini - Retorno a uma anarquia austera, com as comunidades que decidem sozinhas… A Terra é anarquia por natureza, rejeita escolhas que caem do céu… Ao ponto que até o Slow Food deve combater a tentação de querer fazer bem o bem aos outros… Mas essa multidão de ONGs em circulação não está certo, não está certo…
O risco é que já seja tarde. Muitos venenos.

Petrini - Nããão! O Tâmisa parecia morto, e olhe como está hoje… O Bormida [rio italiano] era um esgoto e está se recuperando. A terra é como o ânimo humano. Quando está destruído, do que ele precisa? Tempo, cuidado, manutenção… Exatamente o que o nosso mundo baniu.

Olmi - Não consigo me esquecer disto. Eu estava trabalhando com Renzo Piano na recuperação da Falk [indústria metalúrgica], em Sesto San Giovanni, e em um momento me dei conta que cresciam plantas na terra envenenada após um século de industrialização… Também ali, entende? A natureza tem uma capacidade monstruosa de se regenerar. Basta deixá-la em paz.

Vocês nunca se deram de cara contra o poder?

Olmi - Com os latifundiários de ontem, você até poderia se chocar. Com os de hoje, não. Não são pessoas, são fantasmas. Você não sabe quem está por trás. Bancos, crime, política, igrejas, lobby… Se você os ataca, eles não respondem. Vandana Shiva chama-os pelos seus nomes e pelos sobrenomes, os acusa de serem criminosos, e não acontece nada. Um muro de borracha.

Petrini - Os arrogantes da terra não precisam matar. Basta-lhes a imprensa para difundir apatia, descompromisso, a ideia de que toda resistência é leviana. O drama é que uma certa esquerda também pensa assim, e isso é horrível… Uma traição… Justamente eles, os meus companheiros de estrada…

Como representar a agricultura hoje?

Olmi - No filme “Terra Madre”, conta-se a história de Ernesto, um agricultor do Vêneto, que viveu em perfeita autarquia e absoluta solidão até a sua morte. Dieta bíblica sem carne, só produtos da sua terra. Certamente, não é um modelo a ser imitado. Mas a ser meditado, sim. Ele nos confiou um pedaço de terra bíblica no meio de indústrias e culturas intensivas. Mostrar a beleza desse lugar é impressionante. Faz entender como nós decaímos tão profundamente.

Petrini - Não acredito que Ernesto tenha pensado nos descendentes. O que conta é que ele nos confiou esse laboratório único… Você não tem ideia de como esse lugar é diferente do que o circunda. Outro cheiro, outra forma, outra geometria… Uma maravilha.

O que vocês dizem dos bancos de sementes nas ilhas Svalbard?

Olmi - Esse lugar não é uma conquista, é uma tragédia. Isso são as imagens que dizem, sem necessidade de comentários. Na inauguração, o comissário da União Européia, [Durão] Barroso falou de um “jardim do Éden congelado”. Mas você se dá conta? Aquele ali é o lugar onde os arrogantes da terra vão proteger a vida do colapso que eles mesmos produzem! Monsanto, Coca-Cola, Bill Gates…

Petrini - As Svalbard, um monumento à arrogância e à estupidez. Escolheram o lugar por causa do frio, não? Bem, o que fizeram? Uma caverna na rocha, quando até os burros sabem que debaixo da terra a temperatura sobe… Assim, tiveram que colocar refrigeradores… Pense que demência… Não se deve entubar as sementes, deve se fazer com que elas vivam na gratuidade e na troca…

Enquanto isso, eles se apropriam das sementes e da água.

Olmi - Você vai ver! No fim, trocaremos as sementes às escondidas, como os livros proibidos. Será o modo de despedaçar o poder deles. Não vejo outra revolta possível. Olhe esta arvorezinha que nasce. É uma macieira. Vem da semente de uma macieira que um menino de uma escola lombarda que cuidava da horta da turma me deu. Eu a plantei e agora está crescendo. Pode haver um sinal mais bonito?


(Envolverde/IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

Bactérias verdes: Desvendando a fotossíntese artificial para converter energia solar em elétrica

05/05/2009 - 12h05
Por Redação da agência Fapesp

Cientistas determinam, em bactérias verdes, a estrutura das moléculas responsáveis pela absorção de energia luminosa e abrem caminho para o desenvolvimento de sistemas de fotossíntese artificial.

Um grupo internacional de cientistas conseguiu determinar a estrutura de moléculas de clorofila em bactérias verdes responsáveis pela transformação de energia solar em energia química por meio da fotossíntese.

Clorofila é a designação de pigmentos presentes nos cloroplastos que absorvem luz nos comprimentos de onda entre o azul e o amarelo e refletem diferentes tonalidades de verde, dando às plantas sua cor característica.

O objetivo da pesquisa é o desenvolvimento futuro de sistemas de fotossíntese artificial, que possam converter energia solar em elétrica. O estudo será publicado esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

“Observamos que a orientação das moléculas de clorofila torna as bactérias verdes extremamente eficientes na absorção da luz”, disse Donald Bryant, professor de biotecnologia da Universidade Penn State, um dos autores da pesquisa.

Bactérias verdes compõem um grupo de organismos que geralmente vive em ambientes com pouquíssima luz, como em formações existentes em profundidades de cerca de 100 metros no mar Negro. Essas bactérias contêm estruturas chamadas de clorossomos, com cerca de 250 mil clorofilas.

“A capacidade de capturar energia luminosa e rapidamente entregá-la onde é necessário é essencial para as bactérias verdes, algumas das quais costumam ver apenas alguns fótons de luz por clorofila por dia”, explicou Bryant.

O processo também deve ser muito rápido, uma vez que os organismos têm apenas alguns nanossegundos para levar a energia até algum local em que ela seja útil, antes de ser desperdiçada.

O grupo usou uma combinação de técnicas para estudar os clorossomos. Métodos genéticos foram empregados para criar uma bactéria geneticamente modificada com uma estrutura interna mais regular. Microscopia crioeletrônica e espectroscopia de ressonância magnética nuclear ajudaram a mapear as moléculas de clorofila e a compreender a estrutura dos clorossomos.

As imagens obtidas revelaram que as moléculas têm a forma de nanotubos de carbono. “Elas se parecem com bonecas russas, com um tubo concêntrico contido dentro de outro. Os clorossomos da bactéria mutante contêm apenas um conjunto de tubos, enquanto que as estruturas das bactérias normais contêm muitos tubos, cada um organizado em um padrão único”, disse Bryant.

Os cientistas também verificaram que as moléculas de clorofila são arranjadas em espirais. “A orientação das moléculas é extremamente importante para o processo energético”, apontou.

De acordo com o pesquisador, as interações que promovem a organização das clorofilas em clorossomos são relativamente simples, o que as tornam bons modelos para sistemas artificiais.

“Não conseguimos compreender completamente as regras do processo, mas pelo menos sabemos agora como são essas estruturas e como elas estão relacionadas ao processo biológico como um todo, o que configura um importante avanço”, afirmou Bryant.

O artigo Alternating syn-anti bacteriochlorophylls form concentric helical nanotubes in chlorosomes, de Donald Bryant e outros, poderá ser lido em breve por assinantes da Pnas em http://www.pnas.org.

(Envolverde/Agência Fapesp)

Augusto Boal (1931-2009)

04/05/2009 - 01h05
Augusto Boal (1931-2009)
Por Redação da Envolverde

Morreu neste sábado (02/05) o escritor, dramaturgo, diretor e teatrólogo Augusto Boal, uma das grandes figuras do teatro contemporâneo internacional. Fundador do Teatro do Oprimido - que alia o teatro à ação social,inspiradas nas propostas do educador Paulo Freire -, suas técnicas e práticas difundiram-se pelo mundo, notadamente nas três últimas décadas do século XX, sendo largamente empregadas não só por aqueles que entendem o teatro como instrumento de emancipação política mas também nas áreas de educação, saúde mental e no sistema prisional.
Boal tem uma obra escrita expressiva, traduzida em mais de vinte línguas, e suas concepções são estudados nas principais escolas de teatro do mundo. O livro Teatro do oprimido e outras poéticas políticas trata de um sistema de exercícios ("monólogos corporais"), jogos (diálogos corporais) e técnicas de teatro-imagem, que, segundo o autor, podem ser utilizadas não só por atores mas por todas as pessoas. O Teatro do oprimido tem centros de difusão nos Estados Unidos, na França e no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, Santo André e Londrina.
Nas palavras de Boal:
"O Teatro do Oprimido é o teatro no sentido mais arcaico do termo. Todos os seres humanos são atores - porque atuam - e espectadores - porque observam. Somos todos 'espect-atores'"
Deixamos aqui nosso agradecimento pela sua obra e o homenageamos publicando um de seus textos, publicado no Le Monde Diplomatique Brasil.
Educação e Pedagogia são mães e filhas da Cultura
Por Augusto Boal
Na Sorbonne em 1981, durante o primeiro governo Mitterrand, Jack Lang inaugurou um seminário de 200 intelectuais do mundo inteiro para que discutissem como seria a Cultura em um governo socialista. Afirmou que todos os ministérios deveriam chamar-se “da Cultura”: ministério da Cultura das Finanças, da Cultura da Economia, da Defesa, da Seguridade Social, enfim, todos. Tudo é Cultura. Tinha razão o Ministro francês.
Quando o Presidente Lula, em Belo Horizonte, inaugurou a TEIA, reunião de 700 Pontos de Cultura de todo Brasil e, em Brasília, inaugurou o Projeto Cultural em que o Ministro Gilberto Gil assinou convênios com dez Ministérios, com a Caixa Econômica, o Banco de Desenvolvimento, além de outras organizações sociais, para que incluíssem a Nova Cultura em seus programas, vimos que o belo sonho francês estava se tornando uma concreta realidade brasileira.
Por que nova, se já existia? Porque existia desprezada e mal-amada… mas fecunda. Palavras como Educação, Pedagogia e Cultura eram pétreas imposições com seus significados coercitivos, invasores, não democráticos, nem criativos. Educar, do latim educare, significa conduzir. Educar é a transmissão de conhecimentos inquestionados, dados como certos e necessários. Pedagogia, vem do grego paidagógós que era o indivíduo, geralmente escravo, que caminhava ao lado do aluno e o ajudava a encontrar a escola e o saber.
Nenhum conhecimento é inquestionável e cada nova descoberta da História, ou invenção da Ciência, re-instaura a dúvida sobre todos os saberes. Educação significa a transmissão do saber existente. Pedagogia, a busca de novos saberes. Essas duas palavras não podem ser dissociadas, porque não podemos aceitar um saber não-investigativo, nem descobriremos novos saberes sem conhecer os antigos.
Educação e Pedagogia são duas irmãs que são, ao mesmo tempo, mães e filhas da Cultura. Filhas, porque a Cultura existe em cada sociedade em que vivemos e se manifesta através do saber que ensina e do saber que busca. Mães, porque através delas nasce uma nova Cultura, sempre em trânsito.
Trânsito para que futuro? Surgem então os conceitos de Ética e Moral. Esta vem do latim mores - costumes. Mesmo os mais odiosos podem fazer parte da Moral de um lugar e de uma época. A escravidão já foi Moral em muitos paises e épocas, e os escravos que lutavam por sua liberdade eram chamados de fujões e rebeldes - hoje, sabemos que foram heróis e eram sábios.
Nenhuma Moral social deve ser aceita só porque faz parte dos costumes de um infeliz momento. Não podemos aceitar o latifúndio e a corrupção, nem a fartura vizinha da fome. O Brasil ainda está cheio desses infelizes momentos, como toda a América Latina, explorada pelo imperialismo colonialista e pelo neo-liberalismo.
Moral refere-se ao passado que sobrevive no presente. Ética, do grego ethos - segundo Aristóteles em sua Poética, tendência de perfeição ou, para ela, o caminho - refere-se ao presente que se projeta no futuro.
Não queremos o Brasil como foi nem como é, mas como queremos que seja? Queremos que todos os brasileiros sejam plenos cidadãos, e não se pode ser pleno sem os fundamentos da Educação, sem as audácias criativas da Pedagogia, sem uma Cultura plural que tenha a cara do nosso país mestiço e cafuzo, mameluco, zambo e cariboca - filhos de gente branca, negra, índia: europeus, africanos, aborígenes.
Não somos imorais nem amorais, somos anti-morais naquilo que a Moral do Dia impede o florescer de uma Ética da Solidariedade.
A Terceira Guerra Mundial já começou: essa guerra subliminal não se manifesta apenas em formas espetaculares e teatrais, com invasões e genocídios exibidos pela TV e pelos jornais, mas também através desses meios autoritários de comunicação.
Só poderemos nos defender dessa Invasão dos Cérebros usando armas de igual poder, com sinal trocado. Temos que criar condições materiais para que a população possa desenvolver a sua própria Cultura e criatividade, e deixar de ser vítima passiva da Comunicação. Em junho de 2007, 80% dos cinemas brasileiros estavam ocupados por filmes tipo homens-aranhas, homens-carrapatos, super-homens e mulheres-maravilhas, todos bem armados explodindo bombas e disparando rajadas de metralhadoras: lixo cinematográfico.
Segundo a Teoria dos Neurônios Estéticos, quando um ser humano é bombardeado diariamente com as mesmas informações dogmáticas repetitivas - sejam de cunho religioso ou esportivo, belicista, sexista, racista, imperialista ou de qualquer outra ordem - essas informações, por mais absurdas que sejam, cravam-se em nossos cérebros e formam impenetráveis e agressivas Coroas de Neurônios Fundamentalistas, que rejeitam qualquer pensamento contraditório e transformam suas vítimas em seres sectários da religião e do futebol, da arte e da política. Transformam seres humanos em estações repetidoras de conceitos que não entendem, e de valores vazios.
A Cultura, a Educação e a Pedagogia, através do diálogo e do escambo, ativam nossos Neurônios Estéticos - aqueles que são capazes de processar idéias abstratas e emoções concretas, como faz a Arte - e promovem a mais ampla percepção do mundo e a abertura de veredas e caminhos. Como disse o poeta espanhol Antonio Machado: o caminho não existe, o caminho quem o faz é o caminhante ao caminhar.
Uma verdadeira Educação Pedagógica que contribua para a criação de uma autêntica Cultura Popular Brasileira deve, necessariamente, incluir todas as formas estéticas de percepção da realidade e de invenção - Arte - como parte da luta contra a Invasão dos Cérebros que há tantas décadas estamos sofrendo.
Temos que combater aliens em todas as frentes: na escola, no campo e na cidade, no trabalho e no lazer; no cinema, no teatro, na rádio e na TV, nos CDs e DVDs. Cultura e invenção em toda parte!.
Temos que criar defesas contra a escravidão estética que há tantas décadas nos estão impondo. Temos que descobrir nosso rosto, escrever nossa palavra, dançar com nosso corpo, e ouvir a nossa voz.
Esta é a nova acepção da palavra Cultura, neste belo momento que estamos vivendo no Brasil.
Arte é o Caminho.
(Agência Envolverde)

sexta-feira, 24 de abril de 2009

FIM DE SEMANA AUSPICIOSO NO CENTRO ECOPEDAGÓGICO

FIM DE SEMANA NO CENTRO ECOPEDAGÓGICO BICHO NO MATO 25 E 26 DE ABRIL PIZZA SARAU ECOCULTURAL dia 25 & MERCADO DE TROCAS SOLIDÁRIO dia 26

Salve herman@s
A Rede Ciranda Solidária criada em 2006, construiu a primeira iniciativa de trocas utilizando moeda social do Estado de Pernambuco. Com a iniciativa, busca-se fortalecer uma rede de difusão de tecnologias sociais e ambientais, promovendo o consumo sustentável, a ecologia integral e o fortalecimento entre coletivos e indivíduos altermundistas*.
*Os que buscam uma alternativa a globalização econômica neoliberal. Alter – Alternativa, Mundista – Mundo.
O Centro Ecopedagógico Bicho do Mato é uma comunidade alternativa localizada na Mata Atlântica da Zona Rural ao Norte do Recife, no bairro da Guabiraba, na Biorregião de Dois Irmãos. O espaço é baseado em práticas agroecológicas e permaculturais e tem a Ecopedagogia e a Economia Solidária, como alicerces transversais de suas atividades. Existem espaços comuns zelados e compartilhados pelos moradores e visitantes como o banheiro seco de adultos e crianças, área de compostagem, cozinha comunitária, forno e fogão de barro, galpão de atividades, casa de ferramentas, pomares, espaço da fogueira e rodas, hortas e afins.
Seus integrantes comungam e praticamprincípios espirituais ecumênicos, altermundistas e ecolológicos, criando espaços de ocupação e interação sustentáveis, pacíficos e solidários. Adotamos a alimentação ovo-lacto vegetariana, dando preferênciaaos produtos orgânicos provenientes das práticas agroecológicas locais. Desenvolvemos atividades mensais como o Mercado de Trocas, Mutirões Agroecológicos, Bioconstruções e Meditações pela Cura do Planeta semanais.
Dia 25, Sábado das 18h as 22h
Sarau EcoCultural ao redor da Fogueira Sagrada com PIVO (Pizzas IntegraisVegetarianas Orgânicas)
Serviremos as Pizzas mais alternativas de Pernambuco com massa integral, recheios vegetarianos orgânicos feitas no forno a lenha. Rodízio: R$ 13,00*Apresentação Musical de Kalinne Ribeiro e Banda , Elias el Cantante Argentino,Teatro Performance com Heriberto de Porto Rico, Pirofagia Bicho do Mato, Malabares, Danças Tribais, Recital de Cordel, Poemas entre outras atrações espontâneas.
Dia 26, Domingo a partir das 9h
Oficinas Ecopedagógicas de Agroecologia e Bioconstrução com Super Adobe para a construção do Circulo Mágico de Areia das Crianças Cristais.
ALMOÇO COMUNITÁRIO VEGETARIANO 13h
Mercado de Trocas Solidário
Vamos trocar? A palavra "troca" resgata o sentido da reciprocidade, em que alguém oferece algo a outro, tendo como base a confiança. Na troca solidária, a abundância se apresenta e o ato incondicionalde dar sem querer receber “algo” em troca, se manifesta com sorrisos, abraços e desapego. O que levar para trocar? Faça uma análise profunda do ser de consumo que somos. Precisamos de tudo o que está em nossos armários, gavetas, cabides e caixas? Traga sua produção ou excesso. Artesanato, alimentos (pães, tortas, geleias, bolos, doces e afins), habilidade, massagem, poesia em cordel e objetos dentro de casa que você não usa mais e que alguém pode precisar muito. Roupas, cds e livros de qualidade ecartilhas educacionais em bom estado. Quanto mais e melhor for seus produtos eserviços, melhor colherá e a abundância se manifestará! O Mercado só existe sevocê participa trazendo as trocas ! Atente a isso! Quem traz troca, quem não traz olha!!!
15h Formação da Ciranda Solidária e Mini oficina sobre trocas e moeda social
15h 30min Início do mercado de trocas e início das oficinas
17h Fim das trocas e Círculo de fechamento
Local: Centro Ecopedagógico Bicho do Mato BR 101 Norte, KM 58,5 Guabiraba - Córrego dos Passarinhos, bifurcação a direita
Instruções: Vá até o km 57 da BR 101 sentido norte e faça o retorno. Siga as placas OTL. Entre na placa OTL depois de 1,5 km do retorno e siga por uma estrada de terra. Após passar uma construção vermelha e azul, siga a estrada sempre a direita e vá até o ultimo sitio com grafitagem sinalizando. Bem vindo ao Centro Ecopedagógico Bicho do Mato.
Thomas Enlazador

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Países cobram repasse de US$ 2 bi para adaptação

07/04/2009 - Autor: Fabiano Ávila - Fonte: CarbonoBrasil/IISD
Nações menos desenvolvidas exigem o cumprimento da promessa feita há oito anos de criação de um fundo internacional para ajudar a enfrentar as mudanças climáticas.

Os representantes de 50 países aproveitaram o encontro climático que está sendo realizado em Bonn, na Alemanha, para cobrar uma promessa feita pelas nações ricas de criação de um fundo para auxiliar as adaptações necessárias em consequência das mudanças climáticas.
Em 2001, durante uma conferência da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCC) no Marrocos, as nações ricas se comprometeram a criar um fundo internacional para dar apoio a programas nacionais de adaptação.
Agora, 39 países afirmaram que terminaram seus estudos de adaptação e que para colocá-los em prática precisarão de mais de US$ 1,6 bilhões. Porém, o tal fundo internacional conta com apenas US$ 200 milhões e somente uns poucos projetos podem ser beneficiados.
“Os pobres querem que nos próximos cinco anos até US$ 2 bilhões sejam disponibilizados, dessa forma os ricos cumpririam sua promessa”, afirmou Saleemul Huq, do Instituto Internacional de Meio e Desenvolvimento.
“Os mais humildes e vulneráveis são os que menos contribuíram para o aquecimento global, mas serão os que mais sofrerão seus efeitos. Os ricos devem assumir sua responsabilidade e aumentar a ajuda que podem oferecer”, conclui Huq.
América Latina
Os investimentos em adaptação seriam de muita importância para o continente latino-americano. Segundo o relatório "Mudanças Climáticas e Desenvolvimento na América Latina e Caribe. Uma resenha", da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), divulgado em março, a região é uma das mais vulneráveis às conseqüências das mudanças climáticas no planeta.
Por estar em uma faixa de furacões com numerosos estados insulares e áreas costeiras baixas; por depender dos degelos andinos para fornecimento urbano e agrícola de água; e por estar sujeita a inundações e incêndios florestais, a região pode ser mais afetada que outras partes do mundo.
Ninguém questiona a dívida que os países ricos têm com as outras nações, já que foram eles que mais poluíram. Porém, ao contrário do que muitos imaginam, a contribuição do continente latino-americano para as mudanças climáticas não é pequena se forem considerados os números per capita ou por unidade de PIB. Com 8,5% da população e do PIB global, a região é responsável por 12% das emissões de gases de efeito estufa mundiais.
Além disso, segundo o pesquisador de Energia e Sustentabilidade do Centro Latino-americano de Ecologia Social, Gerardo Honty, a espera por recursos internacionais pode causar a falta de ação dos países mais pobres e também a perda de oportunidades econômicas. “O investimento em fontes renováveis, em eficiência energética e a introdução de tecnologias para um melhor aproveitamento dos recursos hídricos são objetivos a serem buscados sem depender de recursos estrangeiros”, escreveu Honty no artigo ‘América Latina: a hora de uma Economia Climática’.
"Isto faz com que não haja razões poderosas para esperar por eles [recursos estrangeiros], mesmo que se mantenham as justas reivindicações. Em troca, se pode desde já aproveitar as oportunidades que o desenvolvimento dos novos mercados e produtos oferecem – somando-os aos benefícios econômicos, sociais e ambientais que estas mudanças propiciam – em prol da sociedade latino-americana” concluiu o pesquisador.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Plantando e sendo plantado!


Auroville - Índia
01 de outubro de 2008

A Tropical Dry Evergreen Forest (TDEF) só pode ser encontrada na sua península do sudeste da Índia e no Sri Lanka, e produz uma rara riqueza biológica, que está praticamente extinta a mais de uma geração, com aproximadamente 0.01% de sobrevivência (http://plasim.blogspot.com/2007_03_01_archive.html). Nesta península, existem muitos desafios para a permanência da floresta, como a grande densidade populacional, a intensificação da agricultura, a extração inadequada de madeira, solo e pedras (tipo seixo), queima de resíduos orgânicos ou não, dentro da floresta. Tudo isso vem causando uma série de problemas ambientais, tais como erosão (com formação de grandes cânions), perda da diversidade genética, de plantas tradicionais de curas e de nutrientes no solo. Isto vem sendo trabalhado no Cinto Verde de Auroville. Uma das comunidades que vem mediando esta questão é a Sadhana Forest que já tem plantado aproximadamente 17 mil arvores (http://plasim.blogspot.com/2007_03_01_archive.html) e envolvido a população local neste trabalho, através de uma harmoniosa relação de troca, especialmente com as crianças. Então, junto ao Sadhana, a população tem, ao poucos, entendido a importância da floresta e diminuido seu impacto na mesma, através de um processo espontâneo de educação. A atividade de reflorestamento é muito especial. As áreas de erosão estão sendo usadas como estratégias de conservação de águas e contribuindo para o reflorestamento.



Nos dias mais secos, nós, voluntários, cavamos buracos num solo argiloso, avermelhado e bastante duro. Os buracos são quadrados e tem aproximadamente 1m de profundidade e um pouco mais de 60cm de lado. Depois de cavados, os buracos são cobertos com folhas secas coletadas na área ao redor. Nos dias mais úmidos nos empenhamos na plantação das árvores. Equipes são formadas para cada tipo de atividade, tais como: carregar sacos de composto (provenientes dos banheiros compostáveis) para o local onde serão plantadas as árvores; carregar sacos de areia coletadas em trechos de erosão do solo; levar as mudas das arvores para o local e mergulhá-las numa mistura de água e um composto orgânico de microorganismos usados para fermentação; coleta de folhas secas. Ao lado e cada buraco devem ser formadas montes de cada material. Primeiro, uma medida de areia vai cobrir o buraco. Depois misturamos bem o solo argiloso (retirado do próprio buraco), mais uma medida de areia e uma medida de composto. Deve ser bem misturado e colocado, sem socar no buraco, que deve ficar com uma borda de 4 a 5 dedos de profundidade. Depois, enfiamos a mão bem no meio da mistura com a profundidade e diâmetro da muda e, finalmente, a colocamos na sua nova morada. Depois disso a cobrimos com um pouco da mistura, sempre observando que as laterais e esquinas desta morada não devem ficar mais altas que o restante, e precisam ser levemente socada. Este detalhe garante que o sol não resseque o solo e mate a planta. E então, concluímos cobrindo bem a morada com folhas seca, evitando o excesso de calor do sol. Os campos de reflorestamento são cercados por bordas de solo argiloso retirado de uma grande piscina no local mais rebaixado do campo. Esta técnica é de conservação da água do local.


Para mim, esta tem sido uma experiência muito especial, tão cansativa quanto gratificante!!!!!Assim, segundo as palavras do próprio Sadhana Forest, “este é um lugar para se crescer árvores e pessoas”. É verdade.
Trabalhar e viver no Sadhana é como crescer junto com as árvores que plantamos.

Juana Santos




Imagem 1: Tropical Dry Evergreen Forest (TDEF). Fonte:http://www.auroville.org/
Imagem 2: Reflorestamento voluntário em Auroville. Foto: Arquivo Juana Santos
Imagem 3: Ju em Auroville. Foto: Arquivo Juana Santos